Quer abrir uma loja virtual?

Como criar uma marca de roupa: segredos de uma designer do Project Runway

Ilustração de modelo com vestido rosa em uma passarela

Depois de se formar em design de moda, Sarah Donofrio precisou encarar a pergunta que tira o sono de qualquer profissional criativo: e agora?

Na faculdade, ela aprendeu toda a parte técnica. Mas o que as aulas não ensinaram foi a criar uma linha de roupas de sucesso. Isso ela aprendeu nos últimos 15 anos trabalhando para outras marcas e abrindo seu próprio negócio.

Quer seguir os passos de Sarah e começar sua própria marca de roupas? Para tirar sua ideia de negócios do papel, vai precisar de uma boa dose de criatividade, vontade de empreender e paixão pelo que faz.

Modelos vestindo pijama de seda contra um fundo amarelo

Sarah é o estudo de caso perfeito para este guia: ela já trabalhou em dois países e passou por diversos setores da indústria têxtil. Em 2016, participou da 15ª temporada do reality show Project Runway. Desde então, fez um rebranding da sua marca de roupa, lançou a loja One Imaginary Girl na Shopify e abriu uma loja física em Portland, Oregon.

Confira abaixo como criar uma marca de roupa do zero usando a história inspiradora de Sarah como fio condutor.

Competências e conhecimentos para criar uma marca de roupas

Mãos tatuadas escrevendo em um notebook
Burst

Grandes nomes do setor, como Vivienne Westwood, conseguiram a façanha de alcançar o sucesso sendo autodidatas em uma era pré-Internet. Hoje em dia, é possível aprender a personalizar camisetas apenas vendo um vídeo no YouTube.

Esse é um caminho possível, mas o ensino formal tem seus méritos. Sarah deve boa parte do sucesso às competências aprendidas em aula, mas a maioria do seu aprendizado aconteceu no mundo real. Depois da faculdade, ela se aventurou no setor corporativo, em funções de compras e desenvolvimento de produtos de grandes empresas como Walmart.

Demorei muito tempo para me sentir confiante para vender minhas roupas em uma loja.

A faculdade deu a ela o conhecimento técnico, e Sarah acredita que passar alguns anos aprendendo os segredos do ofício com outras marcas e designers é fundamental. “Demorei muito tempo para me sentir confiante para vender minhas roupas em uma loja. Precisei me desenvolver, ouvir conselhos e ganhar experiência”, comenta.

Se quiser começar, existem muitas instituições que oferecem cursos em diversos formatos, desde o programa de graduação da Universidade Federal do Ceará até os cursos modulares da CoutureLab Digital.

Qual é seu plano de negócios?

Sarah descobriu que o mundo da moda e dos negócios são muito mais parecidos do que ela poderia imaginar. Para abrir uma marca de roupas, os questionamentos são os mesmos de qualquer outro negócio: quanto custa criar uma linha de roupas? Quando buscar investimento de capital externo? E quem vai cuidar dos aspectos financeiros, jurídicos e de distribuição?

Depois de ter a ideia de negócios, você até pode usar seus próprios recursos. Mas, se pretende investir pesado e estiver prevendo custos iniciais, precisará buscar investidores ou tentar um financiamento. Um plano de negócios bem embasado e uma apresentação bem ensaiada ajudam muito.

📚 Leia mais: Como Escrever um Plano de Negócios para Atrair Investidores


Atenção às tendências

Modelos vestindo roupas estilosas contra um fundo azul

Depois de deixar o mundo corporativo, Sarah lançou sua marca de roupa própria enquanto ainda tinha outros empregos. Ela já trabalhou como bartender, DJ e até mesmo em uma loja de noivas.

Durante esse tempo, ela aprendeu que observar as tendências é fundamental, mas ter foco também é. Aprimore seus pontos fortes e confie no seu próprio estilo. A faculdade mostrará uma visão geral de tudo, desde roupas íntimas até trajes para a noite. “O segredo é descobrir no que você é bom e se concentrar nisso”, comenta Sarah.

Sempre tive uma boa intuição para tendências, mas o segredo é adaptar.

Embora sua linha tenha adquirido consistência e personalidade própria ao longo dos anos, Sarah está sempre de olho nas tendências. Ela comenta que o segredo é adaptá-las à sua marca, personalizando-as de maneira que funcionem para seus clientes: “Sempre tive uma boa intuição para tendências, mas o segredo é adaptar”.

Desenvolvimento de marca

Instagram da loja One Imaginary Girl
Instagram da One Imaginary Girl

Marca é um conceito que vai muito além do logotipo e do design da coleção. Abrange valores, missão, design do site, cores, fotos, história pessoal, declaração de sustentabilidade e muito mais.

Use as mídias sociais para definir um estilo de vida em torno da sua marca de roupas: compartilhe inspirações e processos, conte a história da marca e seja estratégico em todos os posts. “Nas mídias sociais, o importante é a consistência. É bom postar todos os dias, mas é fundamental ser interessante”, recomenda Sarah.

🛠️ Mais recursos para criar sua marca de roupa:

Inspiração para suas coleções de moda

Devore publicações de moda, siga influenciadores de estilo e assine newsletters e podcasts do setor para buscar inspiração e estar antenado às tendências antes que elas surjam.

No processo de criação, inspire-se salvando favoritos ou criando quadros no Pinterest. Muitos profissionais criativos gostam de criar mood boards físicos, sketchbooks ou colagens. Deixar suas inspirações visíveis pode ser uma grande motivação para você alcançar seus sonhos e se concentrar no tipo de marca que quer criar.

Design de moda

Mood board impresso da One Imaginary Girl

Sarah é adepta do sketchbook, uma das ferramentas mais importantes para um designer. “Eu tenho meu sketchbook sempre comigo. Às vezes estou rabiscando e percebo que aquilo poderia se tornar uma ótima estampa”, comenta.

Sempre combino tecnologia com meus sketchbooks.

Mesmo com as tecnologias disponíveis, ela reforça que é importante rabiscar, qualquer que seja o meio. Para ela, a ideia sempre começa no papel antes de ir para o computador: “Sempre combino tecnologia com meus sketchbooks”.

🛠️ Ferramentas para design de moda, desenho e criação de estampas:

Embora terceirize boa parte da produção para fábricas locais, Sarah até hoje produz suas amostras à mão. “Sempre acreditei que um designer de moda deve criar suas próprias amostras”, afirma. Assim, você entende melhor o que a produção envolve na hora de conversar com fornecedores. Quando conhece o processo, você pode negociar melhor. 

Entretanto, ela recomenda parar por aí: “concentre-se em ser criativo. Eu caí na armadilha de criar peças personalizadas para os clientes, e isso demora demais”.

Produção das peças

No começo, talvez seu volume não seja tão grande a ponto de demandar ajuda externa para produzir. Mas, conforme a marca for crescendo, ter um parceiro de produção pode ajudar você a se concentrar em outros aspectos da empresa e do design. Há exceções, por exemplo, se peças feitas à mão forem o diferencial da sua marca. Entretanto, de maneira geral, o crescimento costuma depender da terceirização de uma parte do trabalho.

Se estiver começando em casa, seu estúdio deve estar pronto para acomodar o fluxo de uma máquina para outra, ter um bom espaço para armazenamento, oferecer ergonomia e ser inspirador.

    📚 Leia mais: Dicas de produtividade para quem faz home office

    Como trabalhar com fabricantes de roupas

    No começo, as peças de Sarah eram produzidas principalmente por ela, mas foi necessário terceirizar alguns elementos para costureiros locais quando começou a empresa crescer. Agora, Sarah trabalha com fábricas e aproveita para se concentrar na marca, desenvolver novas coleções e expandir o canal de varejo.

    Ter um selo de produção local acaba aumentando o preço, mas para mim vale a pena.

    Para Sarah, acompanhar de perto o processo foi importante. Ela também notou que, para os consumidores, era importante ter uma produção local e ética (o suficiente para pagarem mais por isso). “Ter um selo de produção local acaba aumentando o preço, mas para mim vale a pena. Acredito que a transparência é um grande diferencial”, explica.

    Ao escolher fornecedores locais, Sarah acredita ser importante visitar cada uma deles para conhecer suas práticas. Inicialmente, ela pede amostras para inspecionar a qualidade. Por experiência, ela recomenda não apostar todas as fichas em uma só fábrica. Também diz que é importante avaliar os pontos fortes e fracos de cada um: “um fornecedor pode ser bom com malhas, e outro com calças”, comenta.

    Compra de tecido e design têxtil

    Sarah comenta que a compra de tecidos envolve muito networking. Criar sua rede no setor pode ajudar a acessar contatos de agentes de tecido, atacadistas e fábricas. Quando morava em Toronto, ela conhecia o mercado local e tinha um agente do qual comprava tecidos do Japão. Mas até esse caminho tem armadilhas: “No Canadá, todo mundo usava o mesmo agente. Todas as marcas de roupas locais usavam os mesmos tecidos”.

    Todas as marcas de roupas locais usam os mesmos tecidos. Por isso, escolhi desenhar minhas próprias estampas.

    Depois que ficou mais fácil de comprar tecido online, a dificuldade era conseguir estampas e materiais exclusivos, mesmo com contatos. A solução que ela encontrou foi desenhar ela mesma: “Quando eu entrei na faculdade de moda em 2005 não dava para entrar no Alibaba e comprar tecidos, que é o que muitos empreendedores agora fazem. É por isso que eu escolhi desenhar minhas próprias estampas”.

    Calendário de moda

    Modelos vestindo blusas de seda contra um fundo neutro

    A indústria da moda é cíclica, portanto, às vezes é preciso desenhar as coleções com um ano ou mais de antecedência. “As grandes corporações costumam ser mais rápidas na etapa de design, por isso, fazem muita pesquisa de tendência”, comenta. Designers independentes como ela, entretanto, não têm uma grande equipe nem recursos. Por isso, costumam trabalhar mais próximos das datas de entrega.

    Tudo depende dos seus consumidores e da estratégia de lançamento. Se você vende no atacado, os compradores precisarão das peças um mês antes da semana da moda.

    A sazonalidade não precisa ditar suas coleções, no entanto. “É uma pena quando desenho uma estampa bonita e penso que só vou usar ela em uma temporada, em uma janela de seis meses”, comenta. Por isso, ela gosta de usar as estampas independentemente da temporada. 

    Atacado e consignação

    O atacado foi uma parte importante da estratégia de Sarah no começo. Ela comenta que, no início, muitas lojas de varejo só abrem as portas se você fizer um acordo de consignação. No atacado, porém, você normalmente recebe adiantado.

    “Com a consignação, todo mundo ganha. É mais fácil para as lojas aceitarem toda a sua coleção, não uma ou duas peças, pois elas não têm nada a perder”, explica. Receber só depois pode ser difícil, mas você pode conquistar a confiança e aumentar sua exposição se conseguir esperar.

    Não basta ter peças bonitas, é preciso conhecer todos os detalhes.

    Abordar compradores pode ser assustador, e Sarah já esteve dos dois lados. Ela recomenda olhar pelos olhos do comprador quando apresentar seus produtos e se preparar: “Na primeira vez que apresentei minha marca, me perguntei: ‘o que os compradores querem saber?’. Não basta ter peças bonitas, é preciso conhecer todos os detalhes”.

    📚 Leia mais: 

    Como criar uma marca de roupa online

    Página inicial da One Imaginary Girl
    One Imaginary Girl

    Para começar, você precisa de uma ideia de negócios online sólida. Seu plano de negócios detalha como você lidará com frete e processamento de pedidos, embalagem e atendimento ao cliente? Sua produção consegue atender a pedidos únicos? 

    Tudo nos conformes? Ótimo, hora de abrir sua loja virtual. Leva apenas alguns minutos para fazer uma avaliação gratuita. Se decidir seguir em frente, você pode comprar seu nome de domínio e vinculá-lo diretamente à loja da Shopify com nosso gerador de nomes de domínio.

    Escolha um tema da Shopify que priorize as imagens. Sugerimos temas desenvolvidos para marcas de moda, como Broadcast ou Galleria, ou uma versão gratuita, como o Boundless. Esses temas ajudam a destacar as fotos, por isso, é bom investir em ensaios fotográficos profissionais. Se o orçamento estiver mais apertado, um kit simples de iluminação, uma câmera boa (pode ser até do smartphone) e alguns truques podem ajudar a tirar fotos que parecem profissionais.

    Também existem vários apps da Shopify que ajudam a criar uma experiência de compra personalizada e resolver desafios comuns, como tamanhos e medidas. Entre os melhores apps para marcas de roupas, alguns se destacam:

    Moda é o setor ideal para vender em redes sociais. Experimente entrar em contato com seu público-alvo por canais como as lojas do Instagram e do Facebook.

    📚 Leia mais:

    Lojas físicas: bazares, lojas pop-up e varejo

    Sarah levou 11 anos para abrir sua loja física, uma ideia que ela já vinha elaborando. Durante algum tempo, ela participou de bazares locais para entender melhor os consumidores, testar o merchandising, ganhar exposição e criar relacionamentos.

    Sempre tive medo de abrir minha loja por causa dos custos altos, principalmente em Toronto. Não era viável.

    Depois de um tempo, Sarah mudou-se para Portland e teve a experiência de abrir uma loja pop-up por três meses antes de investir definitivamente em um ponto fixo. “Sempre tive medo de abrir minha loja por causa dos custos altos, principalmente em Toronto. Não era viável”, comenta.

    Entretanto, Sarah já fechou a loja física: “Não gostava de administrá-la”, explica. A loja a distanciou do que ela mais gostava: desenhar. Agora, a One Imaginary Girl ainda vende diretamente para os clientes pela loja virtual, mas mudou o foco para o atacado. Sarah agora trabalha com a Wolf and Badger (Nova York e Londres) e com a Fox Holt, uma loja com foco em sustentabilidade.

    🛠️ Mais recursos para você investir em uma loja física:

    Ilustração de Pete Ryan

    Perguntas frequentes sobre como criar uma marca de roupa

    Preciso de uma permissão para criar minha marca de roupa?

    Algumas permissões são necessárias para começar. Os requisitos variam de acordo com a legislação local, mas normalmente incluem o registro da marca no INPI (Instituto Nacional da Propriedade Industrial), obtenção de CNPJ, licença da prefeitura municipal e alvará do corpo de bombeiros.

    Qual nome dou à minha marca?

    O nome da sua marca de roupa deve representar sua identidade visual e ser representativa para o público-alvo. Sarah Donofrio usou seu próprio nome. A Shopify tem um gerador de nomes de empresas gratuito que você pode usar como inspiração.

     

    Posso colocar minha etiqueta própria em roupas compradas pelo atacado?

    Sim, desde que isso não vá contra as políticas do atacadista. Essa prática é chamada de private label ou marca própria. Basicamente, você compra roupas no atacado de um fornecedor, coloca sua etiqueta e revende diretamente para seus clientes com sua marca.


    Which method is right for you?Sobre a autora

    Carolina Walliter é escritora, tradutora, intérprete de conferências e editora-chefe do blog da Shopify em português do Brasil.

    Post original em inglês: Dayna Winter

    Tradução e localização: Natália Mazzilli

    Você tem dúvidas sobre a Shopify?

    Entre em contato a nossa Central de ajuda