Um plano de negócio pode ajudar a assegurar investimentos para um novo empreendimento, mas ele é muito mais do que isso. Muita gente pensa que um plano de negócio serve apenas para conseguir o apoio de investidores ou bancos e que quem está investindo do próprio bolso não precisa de um.
Esse é um engano comum, já que a elaboração de um plano pode ajudar a traçar estratégias, identificar potenciais obstáculos, alocar recursos e compreender a viabilidade das suas ideias. Certamente não é a parte mais agradável e empolgante ao empreender, mas é uma etapa necessária.
Mesmo que ele seja só para você, sentar e delinear um plano pode ser muito útil para identificar estratégias e táticas. Ao final do processo, você terá uma visão clara da sua ideia de negócio e um plano de ação concreto. Pense no plano como um mapa do tesouro que, no caso, é o sucesso da sua empresa ou instituição.
O que é um plano de negócio?
Um plano de negócio é um documento estratégico que descreve o empreendimento, os produtos e serviços a serem prestados, como o negócio pretende gerar dinheiro, quem está na sua liderança e os membros da equipe, como se configuram suas finanças, modelo operacional e outros dados essenciais.
O plano detalha as metas de curto e longo prazo, além das estratégias e cronogramas para alcançá-las.
Ele funciona como uma espécie de mapa, mostrando os potenciais e possíveis problemas na sua jornada, permitindo que eles sejam mitigados antecipadamente. Essa direção clara oferece confiança e orientação mesmo nos momentos mais difíceis.
Tipos de plano de negócio
Existem dois formatos principais de plano de negócio: o tradicional e o enxuto (lean):
Plano de negócio tradicional
Abrangendo desde suas finanças até seu plano de marketing, o plano de negócio tradicional contém informações detalhadas, geralmente com muitas páginas, incluindo análise aprofundada dos concorrentes e do público-alvo. Use o formato tradicional ao solicitar empréstimos bancários ou apresentar para investidores de capital de risco.
Plano de negócio enxuto (lean)
O plano enxuto é uma versão simplificada do plano de negócios tradicional, ideal para uso interno ou para empresas que ainda estão validando uma ideia. Como exige menos detalhamento, ele permite organizar estratégias, testar hipóteses e ajustar o modelo de negócio com mais agilidade. Também é uma boa opção quando o público não precisa ter acesso a informações aprofundadas, como projeções financeiras completas ou análises detalhadas, caso de novos funcionários, colaboradores e alguns parceiros.
|
Plano de negócio tradicional |
Plano de negócio enxuto (lean) |
|
|---|---|---|
|
Extensão |
Dezenas de páginas |
1 a 2 páginas |
|
Conteúdo |
Abrangente e detalhado |
Inclui apenas as informações mais importantes |
|
Finalidade |
Usado para obter financiamento externo |
Usado para fins internos, como integração de novos funcionários |
4 vantagens de criar um plano de negócio
- Planejamento estratégico
- Avaliação de ideias
- Clareza nos diferenciais
- Preparação para conversas sobre financiamento
Para quem vai atrás de investidores para alavancar uma ideia, o plano de negócio é um item obrigatório que permite que a viabilidade seja avaliada. Mas, mesmo quando isso não é o caso, e o investimento inicial sairá do seu bolso, ele pode ajudar a visualizar uma série de coisas importantes.
A pesquisa e a análise de mercado são etapas fundamentais de um plano de negócio, pois ajudam a identificar demandas não atendidas e oportunidades de crescimento. Foi justamente esse processo que permitiu às fundadoras da Pantys, Emily Ewell e Maria Eduarda Camargo, validar a demanda por uma alternativa aos absorventes tradicionais e identificar um público aberto a experimentar uma solução inovadora.
Veja alguns dos principais benefícios de criar um plano de negócio:
Planejamento estratégico
Uma das maiores vantagens é o planejamento, cronograma e estabelecimento dos recursos necessários para começar. Elaborar um plano de negócio ajuda a entender quanto tempo, dinheiro e recursos serão necessários para construir e fazer sua empresa crescer. Ele também inclui projeções financeiras detalhadas que revelam o que será ou não possível no futuro.
Avaliação de ideias
Ao pesquisar e redigir um plano de negócio, você analisa tudo, desde condições de mercado até logística de produção e despesas, o que ajuda a determinar se o conceito do seu negócio é viável. Se você tem múltiplas ideias, elaborar um rascunho de plano para cada uma permite identificar quais têm maiores chances de sucesso, permitindo que você se concentre apenas naquilo que aparenta ser mais vantajoso.
Clareza nos diferenciais
Etapas comuns neste processo de elaboração incluem pesquisa de mercado, criação da buyer persona (ou cliente ideal) e análise de concorrência. Essas táticas ajudam a esclarecer sua vantagem competitiva e os pilares da sua marca, facilitando a apresentação da empresa tanto para investidores quanto para consumidores.
Um plano bem-feito também pode ser uma carta na manga na hora de estabelecer parcerias e colaborações com outras entidades, influenciadores ou especialistas, especialmente quando vocês compartilham missões e valores semelhantes.
Preparação para conversas sobre financiamento
Planos de negócio são excelentes para preparar você para conversas com investidores ou credores. Eles fornecem provas de que seu negócio é um investimento seguro, já que suas projeções financeiras e estratégia de crescimento estão reunidas em um único documento.
E, se for recrutar pessoal, o plano é uma ótima maneira de mostrar aos candidatos quem você é, e criar confiança e empolgação na empresa e seu potencial de crescimento, o que pode ser crucial ao atrair e reter os melhores talentos.
Quem precisa de um plano de negócio e quando?
Não só empresas que procuram lucrar precisam de um plano de negócio. O chamado terceiro setor, que inclui entidades sem fins lucrativos, como ONGs, institutos e instituições beneficentes, também se beneficia de um documento que trace os planos, estratégias e objetivos a serem alcançados, bem como missão e cronogramas e aspectos financeiros.
Também se engana quem pensa que basta elaborar um documento no começo da aventura. As coisas mudam, e os planos de negócio devem refletir a situação atual e os objetivos futuros, mesmo que tenham sofrido ajustes. Sendo assim, é preciso revê-lo periodicamente. Segue uma sugestão:
Anualmente: aspectos como análise financeira, SWOT, análise de mercado, produtos e metas a longo prazo.
Trimestralmente: objetivos de curto prazo, projeções financeiras trimestrais e estratégia de marketing.
Mensalmente: indicadores chave, fluxo de caixa, estoque e satisfação dos consumidores.
À medida que seu negócio cresce, compare as projeções do plano com o desempenho real. Essa análise de "planejado vs. realizado" revela o que está funcionando e onde é preciso ajustar. Muitos empreendedores usam planilhas simples ou softwares de planejamento para acompanhar as variações mensal ou trimestralmente.
Porém, às vezes, mudanças fora do seu controle exigem uma atualização mais imediata. Alguns fatores externos que podem demandar revisão incluem:
- Mudanças na concorrência. Novos players entram no mercado ou concorrentes existentes aumentam ou diminuem sua participação.
- Mudanças nas tendências de consumo. Os compradores estão mais ou menos interessados nos produtos que você vende.
- Mudanças em fornecedores. Suas matérias-primas estão mais caras ou mais baratas.
- Regulamentações governamentais. Dependendo do seu setor e produtos, mudanças em políticas regulatórias podem impactar seu negócio.
E alguns fatores internos que podem sinalizar a necessidade de um novo plano:
- Crescimento da equipe. Você contratou um grande número de novos funcionários.
- Novos produtos. Começou a vender novos produtos ou serviços.
- Grandes mudanças financeiras. Seu financiamento mudou com um empréstimo ou novo investimento, ou suas receitas e despesas mudaram significativamente.
O que é necessário para elaborar um plano de negócio?
Existem diversos tipos e modelos de planos, mas alguns pontos são fundamentais.
- Pense no leitor do documento. É importante determinar quem vai ler o plano, adaptando a linguagem e o nível de detalhes de acordo com isso. Novos funcionários podem se importar mais com os valores da marca, enquanto investidores se preocupam mais com as finanças e os diferenciais no mercado. Imagine as possíveis objeções ou preocupações do leitor e aborde-as proativamente no plano.
- Tenha um objetivo claro em mente. Se for um documento só para sua referência, inclua aquilo que é mais importante para você. Se for para obter financiamento, dados financeiros são cruciais e quando for usá-lo no recrutamento de uma equipe, é preciso detalhar as vantagens de se trabalhar no projeto.
- Não pule a etapa de pesquisa. Sua visão, proposta e missão são interessantes, mas é através de pesquisas de fontes independentes que você consegue incluir uma visão da viabilidade da sua ideia. Separe um tempo para compreender a demanda, o público-alvo, seu nicho e o mercado.
- Vá direto ao ponto. No plano de negócio, não adianta enfeitar demais. Ele deve ser fácil de ler, geralmente contido entre 15 e 20 páginas. Documentos adicionais que acredita serem importantes podem ser adicionados como anexo.
- Dê atenção à redação e à ortografia. Mantenha um tom consistente e profissional em todo o documento. Sempre que fizer sentido, incorpore também elementos da identidade visual da marca.
Como escrever um plano de negócio em 10 passos
- Escolha o formato e o modelo do plano de negócio
- Defina o público-alvo do plano
- Apresente uma visão geral da empresa
- Realize uma análise de mercado
- Descreva seus produtos e serviços
- Desenvolva um plano de marketing
- Estruture o plano de logística e operações
- Crie o plano financeiro
- Elabore o resumo executivo
- Revise e atualize o plano de negócio
Olhar para uma página em branco e ter a impressão de que ela olha de volta para você pode ser algo muito frustrante. Sendo assim, pense em abordar a tarefa por etapas. Comece com um rascunho estruturado, listando os detalhes que deverá incluir em cada seção.
Felizmente, existem recursos para ajudar nessa hora. A Shopify disponibiliza um modelo com guia rápido e simplificado, e o Sebrae oferece um modelo gratuito, além de um vídeo explicativo. E para facilitar ainda mais, a entidade criou o recurso PNBOX, uma plataforma totalmente digital e gratuita para auxiliar pequenos negócios na criação dos seus planos.
Quem pode gastar e não se intimida com ferramentas em inglês pode também apostar no Bizplan, Go Small Biz ou LivePlan.
Quanto à estrutura, confira a sugestão abaixo:
1. Escolha o formato e o modelo do plano de negócio
Primeiro, escolha o formato que melhor atende aos seus objetivos. Se você pretende apresentar o plano de negócio a investidores ou instituições financeiras em busca de recursos, o modelo tradicional costuma ser a opção mais adequada. Já se o objetivo for organizar suas ideias, orientar a equipe ou compartilhar a estratégia com possíveis parceiros, uma versão mais enxuta pode ser suficiente.
Em seguida, selecione um modelo de plano de negócio para servir como base. Utilizar um template ajuda a estruturar as informações de forma clara e garante que nenhum elemento importante fique de fora. Além disso, consultar exemplos prontos pode facilitar a compreensão de como o documento final deve ser organizado.
Alguns empreendedores também recorrem a ferramentas de inteligência artificial, como o ChatGPT, para agilizar a elaboração de determinadas seções do plano. Nesse caso, trate o conteúdo gerado como um rascunho inicial: verifique as informações, adapte o texto à voz da sua marca e inclua detalhes específicos do seu negócio para garantir um resultado mais preciso e relevante.
2. Defina o público do plano
Antes de começar a redigir o plano de negócio, considere quem será o público-alvo do documento. Diferentes leitores terão expectativas distintas: potenciais investidores, por exemplo, costumam dar mais atenção às projeções financeiras, ao potencial de crescimento e aos diferenciais competitivos da empresa, enquanto futuros colaboradores podem se interessar mais pela cultura organizacional, pelos valores da marca e pela visão de longo prazo do negócio.
Também é importante antecipar possíveis dúvidas, objeções ou preocupações que esse público possa ter. Ao abordar essas questões de forma clara e proativa no plano, você fortalece a credibilidade do projeto e aumenta as chances de conquistar a confiança de quem irá avaliá-lo.
3. Apresente uma visão geral da empresa
Aqui, o essencial é responder a duas perguntas fundamentais: “Quem você é?” e “O que planeja fazer?”.
Isso vai determinar sua proposta, o que o difere da concorrência, quais elementos do mercado funcionam em seu favor e por que investir em você é uma boa ideia. O exercício é útil mesmo que ninguém mais vá consultar o documento. Colocar tudo no papel lhe dá uma visão clara das suas perspectivas e desafios. Alguns elementos que não podem faltar são:
Nome, localização e estrutura jurídica
Apresente seu negócio pelo nome e dê qualquer contexto relevante sobre ele. Indique a localização da sede, escritórios adicionais ou trabalho remoto, e onde o negócio atuará. Por fim, indique a estrutura jurídica: MEI (Microempreendedor Individual), Sociedade Limitada (LTDA.) ou Sociedade Simples, entre outras.
Conceito, modelo e setor de atuação
Descreva brevemente o que sua empresa faz e indique seu modelo de negócio (B2C, DTC, B2B, C2C ou C2B). Indique também o setor de atuação e como seu nicho se posiciona. Você vai revolucionar um setor estabelecido com tecnologia de ponta ou criar uma nova categoria de produto?
Vantagem competitiva
A vantagem competitiva é o que seu negócio tem que os outros não têm. Pode ser preços mais baixos (liderança pelo custo), maior qualidade (diferenciação) ou uma marca que atrai um grupo específico (foco).
Visão, missão e valores
A definição dos seus valores passa pela forma na qual deseja conduzir todos os seus relacionamentos, seja com funcionários, fornecedores, investidores ou até mesmo a comunidade e o mundo de modo geral.
Com uma visão nítida dos valores, você já pode partir para uma declaração de missão. Elabore uma declaração de missão clara e objetiva que explique a razão de existir da sua empresa e os objetivos que ela busca alcançar. Em geral, trata-se de uma mensagem inspiradora voltada ao público, que expressa o propósito do negócio e seus valores fundamentais. Por isso, costuma ser breve, com uma ou duas frases que resumem a essência da marca. Por exemplo, a missão da Shopify é definida como "tornar o comércio melhor para todos".
Qual o impacto que deseja deixar no mundo com sua empresa? O que você quer alcançar com sua atuação? Essa pode ser a sua visão, que se recomenda ser um texto conciso de até três frases neste contexto.
Metas de curto e longo prazo
A visão geral deve incluir seus objetivos, sejam eles para agora, um futuro próximo ou de modo geral. Uma boa ideia é testar as metas diante do método SMART, garantindo que sejam: específicas, mensuráveis, atingíveis, relevantes e no tempo certo.
Liderança e estrutura organizacional
Apresente os membros-chave da equipe de gestão (mesmo que seja apenas você) com breves descrições de credenciais e experiências profissionais. Se tiver funcionários ou sócios, liste as funções e responsabilidades de cada pessoa, junto com a compensação paga a cada um deles. Detalhe também a estrutura organizacional da empresa.
4. Realize uma análise de mercado
Todo negócio existe dentro de um mercado, nos quais muitos dos elementos estão fora do controle individual de um empreendedor. E, nesse sentido, o mercado é soberano: ele pode ditar grandes sucessos ou ocasionar a falência de muitos setores.
Ou seja, a primeira coisa a se fazer é identificar que existe uma demanda para o que você oferece, o quanto as pessoas estão dispostas a pagar por isso, e se você consegue atuar no mercado certo onde a demanda está concentrada.
Tal análise é fundamental para todo e qualquer negócio. Vale a pena incluir o tamanho do mercado, a fatia que pretende ocupar, seu posicionamento nele e uma análise da concorrência. Pesquisas bem-feitas não só servem para convencer investidores, como também conseguem validar, através de fatos, suas suposições e estimativas, permitindo um planejamento mais realista.
Veja o que incluir nesta seção:
- Analise o tamanho, crescimento e tendências do mercado. Detalhe o tamanho do seu mercado e qualquer crescimento previsto. Observe tendências tecnológicas, econômicas e sociais.
- Busque oportunidades de mercado. Identifique lacunas no mercado ou novas oportunidades ligadas a tendências em crescimento.
- Identifique seu público-alvo. Use pesquisa de mercado para identificá-lo, incluindo informações demográficas (idade, gênero, status socioeconômico, localização e escolaridade), hábitos de compra e fatores de decisão (as dores e valores que guiam a decisão de compra).
- Estime o tamanho do mercado. Avalie o mercado total endereçável para determinar o tamanho do público que sua empresa pode alcançar e compreender o potencial da oportunidade de negócio.
- Realize uma análise da concorrência. Analise os produtos, preços, estratégias de marketing e participação de mercado dos seus concorrentes.
- Realize uma análise SWOT. Liste os pontos fortes, fracos, oportunidades e ameaças do seu negócio.
O mercado potencial é uma estimativa da quantidade de pessoas que podem ser potenciais compradoras dos seus produtos e serviços. É claro que é importante ser ambicioso, mas manter os pés no chão é essencial para chegar lá. Assim sendo, é fundamental usar dados de fontes fidedignas, além de pesquisar tendências do setor.
Seu mercado potencial não é composto apenas pelos consumidores que fazem parte dele hoje, mas também por aqueles que poderão ingressar nesse mercado no futuro. Imagine, por exemplo, uma empresa que vende materiais escolares: além dos estudantes atuais, é importante considerar as novas crianças que ingressarão na escola nos próximos anos e que poderão se tornar clientes.
Por isso, estimativas e projeções sobre o crescimento ou a retração do mercado são fundamentais para avaliar o potencial do negócio a longo prazo. Mudanças demográficas, tendências de consumo, avanços tecnológicos e fatores econômicos podem influenciar diretamente o tamanho da oportunidade.
Busque reunir o máximo possível de informações sobre seu público-alvo e o segmento em que atua, recorrendo a pesquisas, relatórios e dados estatísticos sempre que disponíveis. Embora nenhuma projeção seja capaz de prever o futuro com total precisão, dados confiáveis ajudam a reduzir incertezas e tornam o plano de negócios mais consistente. Afinal, quanto mais embasadas forem suas análises, melhores serão as decisões estratégicas para o crescimento da empresa.
Para obter um embasamento mais confiável, procure sempre fontes oficiais como estatísticas governamentais, associações do setor, pesquisas acadêmicas e institutos de pesquisa como Sebrae, IBGE ou FGV.
Análise SWOT
A chamada análise SWOT avalia os pontos fortes, fracos, oportunidades e ameaças para o negócio. Ela também demonstra ser crucial para permitir a tomada estratégica de decisões.
Para preencher todos os quesitos necessários para completá-la, comece pelas seguintes perguntas: quais são os melhores atributos do seu empreendimento? No que você deixa a desejar, sinceramente? Quais mudanças no mercado ou no setor podem funcionar a seu favor? E quais fatores externos podem se tornar potenciais ameaças?
A forma mais comum de apresentar estas informações é através de uma tabela simples. Ao exibir informações de maneira visual, quem lê o plano de negócio consegue identificar os fatores relevantes quase que de imediato.
Veja um exemplo:
|
Pontos fortes
|
Pontos fracos
|
|
Oportunidades
|
Ameaças
|
Análise da concorrência
Para diferenciar sua empresa das concorrentes, existem três meios gerais:
- Liderança pelo custo. É possível impulsionar lucros ao oferecer preços menores, desde que seus custos de produção permitam uma boa margem de lucro e o volume esperado de vendas seja alto.
- Diferencial. Seu produto ou serviço oferece algo distinto ou inovador que ninguém, ou quase ninguém mais tem? Você pode se destacar por conta disso.
- Foco. Se o seu público-alvo está num setor de nicho bem segmentado, focar nessa identidade e conquista deste grupo antes de passar para mercados mais amplos pode ser uma ótima estratégia.
Mas mesmo o produto mais inovador ainda terá concorrência, não tem como escapar disso. Se o seu mercado já é estabelecido, liste empresas que são suas concorrentes diretas e explique como se diferenciará delas.
Se os concorrentes diretos não forem tão claros, especialmente em mercados inovadores, identifique também a concorrência indireta: empresas, produtos ou serviços que atendem às mesmas necessidades ou resolvem os mesmos problemas dos seus clientes.
5. Descreva seus produtos e serviços
Embora sua oferta esteja mencionada em diversas seções do plano de negócio, é bacana separar uma delas para focar apenas neste ponto. Liste cada produto ou serviço que vende atualmente ou planeja vender no futuro, junto com as principais características e preço de cada um.
Em vez de simplesmente listar os preços, inclua sua estratégia de precificação, explicando como determinou o preço de cada produto. Uma estratégia de precificação sólida considera seus custos, a disposição do público em pagar e seus objetivos de longo prazo, além de como o preço se encaixa na sua proposta de valor. Explique a lógica por trás dos seus preços e liste os motivos pelos quais eles são mais altos que os da concorrência, se for o caso.
Descreva novos produtos que lançará em breve e qualquer propriedade intelectual que possua. Explique como eles melhorarão a lucratividade. Também é importante indicar de onde vêm os produtos, já que artesanato feito à mão tem uma origem diferente de produtos de tendência para um negócio de dropshipping, por exemplo.
6. Desenvolva um plano de marketing
Você pode vender os melhores produtos do mundo, mas ninguém vai comprá-los se não souber que eles existem. Por isso, é vital pensar na sua estratégia de marketing mesmo nesta fase inicial de planejamento.
É na ideia do cliente ideal que se baseia todo o seu plano de marketing, ou até mesmo o negócio de modo geral. Este indivíduo idealizado é considerado em praticamente todas as decisões. Portanto, é preciso traçar este perfil com todo o cuidado e o máximo de precisão.
As características passam por alguns aspectos generalistas e outros mais específicos, incluindo:
- Localização
- Faixa etária
- Nível de escolaridade
- Padrões de comportamento
- Hobbies e lazer
- Local de trabalho
- Tecnologia usada
- Faixa de renda
- Ramos de atuação profissional
- Valores, crenças e opiniões
Veja o que incluir nesta seção do plano de negócio:
Posicionamento do produto e mensagem da marca
O posicionamento do produto é a base do seu plano de marketing. Dê uma explicação concisa da proposta de valor do seu produto para o público-alvo. Reflita sobre a percepção que deseja criar na mente dos consumidores e sobre os diferenciais que destacam seu produto em comparação com a concorrência.
Em seguida, descreva as principais mensagens da marca que você usará para comunicar essa proposta de valor. Forneça pontos de prova e razões para acreditar na sua proposta, além de diretrizes específicas sobre como falar dos recursos e benefícios dos seus produtos.
Canais de aquisição
Sua estratégia de canais de aquisição é como você encontrará novos clientes. Esses canais podem incluir publicidade paga, campanhas de relações públicas, marketing de conteúdo e marketing em redes sociais, por exemplo.
Plataformas e táticas específicas
Depois de determinar seus canais de aquisição mais amplos (como publicidade paga), esclareça como usará cada canal. Por exemplo, talvez você decida anunciar em outdoors locais e realizar campanhas de SEO com palavras-chave estratégicas.
Se está pensando em investir pesado em marketing no Instagram e anúncios no TikTok, por exemplo, verifique se seu público-alvo realmente usa essas plataformas.
Ferramentas e tecnologia
Liste as ferramentas necessárias para executar sua estratégia de marketing, como software de automação de marketing, aplicativo de agendamento de redes sociais ou software de CRM (gestão de relacionamento com o cliente).
Metas e avaliação
Como você medirá o sucesso do marketing? Explique o que deseja que seus esforços de marketing alcancem, como um ticket médio mais alto, mais seguidores nas redes sociais ou aumento no tráfego do site.
Planos de marketing costumam incluir informações sobre quatro temas principais, em diferentes níveis de detalhamento:
- Preço. Quanto custarão seus produtos e qual foi sua estratégia de precificação ao determinar isso?
- Produtos. O que você vende, e qual o diferencial deste produto no mercado?
- Promoção. Como vai promover seus produtos para os clientes em potencial?
- Local. Onde venderá?
7. Estruture o plano de logística e operações
Depois de explicar o que você vai fazer, chegou a hora de explicar como você vai fazer isso. Logística e operações são os fluxos de trabalho que você implementará para transformar sua ideia de negócio em realidade. Pensar nesta seção ajuda a identificar lacunas no conceito do negócio e os recursos necessários para dar vida à sua ideia.
Uma seção de logística e operações de alta qualidade deve sinalizar ao leitor que você tem um entendimento sólido da sua cadeia de suprimentos e planos de contingência robustos para cobrir possíveis incertezas.
Inclua elementos como:
Fornecedores
De onde você obtém matéria-prima ou quem fabrica seus produtos? Você compra produtos acabados de um atacadista ou parceiro de dropshipping? Planeja importar ou exportar como parte do negócio? Se obtém matérias-primas de fazendas, liste-as. O que acontece se seu fornecedor fechar as portas? E se as tarifas quadruplicarem? Ou um evento climático catastrófico impactar a fábrica?
Produção
Como seus produtos são feitos? Explique os processos que transformam matérias-primas em produtos acabados, incluindo informações sobre as tecnologias e instalações (como fábricas especializadas) necessárias para fabricar seus produtos. Inclua tempo de produção e transporte, e como lidará com períodos de alta demanda.
Envio e processamento
Detalhe como seus produtos chegarão às mãos dos consumidores. Liste as transportadoras e detalhe como seus produtos serão armazenados. Por exemplo, talvez você armazene e envie produtos da sua própria casa, ou talvez use um parceiro terceirizado de fulfillment.
Gestão de estoque
Qual será a quantidade de produtos armazenada? Como vai controlar as entradas e saídas? Como garantirá que não fique sem estoque (ou com excesso)? Detalhe suas estratégias de gestão de estoque e liste qualquer software de gestão de estoque que planeja usar. Terá estoque próprio ou trabalhará com dropshipping? Onde ficará armazenado o estoque? Com estas informações em mãos, pense em planos de contingência caso ocorra falha em qualquer um dos elos desta cadeia.
8. Crie o plano financeiro
Esse é o X da questão. Você pode ter paixão pelo negócio ou a ideia mais genial, mas a questão financeira é o que determina se ele será ou não viável. Isso vale até para entidades sem fins lucrativos, já que precisam organizar as finanças para continuar em operação.
Um bom plano financeiro traça o caminho para a lucratividade e garante a investidores e credores que seu negócio é uma escolha inteligente de investimento. O nível de detalhe necessário depende do seu público e objetivos.
Geralmente, nesta seção são incluídos demonstrativo de resultados, balanço patrimonial e fluxo de caixa. Projeções financeiras também entram aqui.
- O balanço patrimonial explicita o capital existente no negócio. Isso é feito através de uma listagem de ativos (o que você possui) e passivos (o que deve). Assim, é possível fazer um cálculo estimado do patrimônio líquido, que seria o valor dos ativos após a subtração dos passivos.
- O demonstrativo de fluxo de caixa mostra o dinheiro entrando e saindo do negócio em um determinado período.
- O demonstrativo de resultados (também conhecido como demonstrativo de lucros e perdas) passa uma ideia das receitas e despesas em um período, avaliando se houve lucro ou prejuízo.
Independentemente de há quanto tempo sua empresa está no mercado, desenvolva projeções de vendas de longo prazo, idealmente para os próximos cinco anos.
Projeções de receita e vendas
Crie uma projeção da receita que entrará no seu negócio (por exemplo, de vendas). Se está começando agora, precisará fazer estimativas com base em vendas previstas; se já está no mercado há algum tempo, use dados históricos.
Previsão de despesas e taxa de queima
Um levantamento do dinheiro que espera sair do seu negócio.
Capital do negócio
Descreva o capital que tem em mãos (por exemplo, capital que está contribuindo do próprio bolso ou de amigos e familiares) e/ou o capital que planeja captar.
Solicitação de financiamento e uso dos recursos
Declare suas necessidades de financiamento para os próximos cinco anos, se estiver buscando capital externo. Explique como usará o dinheiro (para equipamentos, capital de giro ou pagamento de dívidas) e especifique o tipo de financiamento necessário.
Documentos de apoio para o anexo
Reúna materiais que reforcem suas demonstrações financeiras e projeções. Inclua históricos de crédito, cartas de intenção, contratos e documentos legais que forneçam evidências para o seu plano.
Se as entradas são maiores que as saídas, o caixa é positivo. Ao observar momentos nos quais ocorra queda no fluxo de caixa, você já pode traçar planos para momentos emergenciais onde um financiamento pode ser necessário para evitar que o negócio fique no vermelho.
9. Elabore o resumo executivo
Por ser a primeira parte que alguém irá ler, o resumo executivo deve ser a última parte a ser escrita. O objetivo é oferecer um resumão de tudo que será apresentado, para que os leitores consigam bater o olho e entender o conteúdo de forma bem generalizada.
Ele também serve como um argumento para convencer pessoas a conferirem o resto do plano com mais atenção. Assim sendo, é importante destacar nele todos os pontos fundamentais que descobriu na elaboração do seu plano de negócio.
Concentre-o em apenas uma página. Pode parecer difícil, mas é possível quando se foca nos seguintes fatores:
- Declaração de missão, extraída da visão geral da empresa.
- Conceito do negócio. Qual é a sua ideia e o que sua empresa pretende vender?
- Objetivos do negócio, extraídos da visão geral da empresa.
- Descrição do produto, extraída da seção de produtos e serviços.
- Vantagem competitiva, extraída da análise de mercado.
- Público-alvo, extraído da análise de mercado.
- Projeções financeiras, extraídas do plano financeiro.
- Se está solicitando um financiamento: qual o valor desejado e como será utilizado?
- Quem é a equipe que vai trabalhar com você? Enfatize seus talentos.
10. Revise e atualize o plano de negócio
O plano de negócio não deve ser tratado como um documento estático. À medida que o mercado evolui e a empresa cresce, é importante mantê-lo atualizado para que ele continue servindo como uma fonte confiável de informações e um guia estratégico para a tomada de decisões.
Empresas mais consolidadas costumam revisar seu plano de negócio pelo menos uma vez por ano. Já negócios em estágio inicial ou em rápido crescimento podem se beneficiar de atualizações trimestrais, permitindo ajustes mais ágeis às mudanças do mercado.
Uma boa prática é comparar regularmente as projeções do plano com os resultados efetivamente alcançados. Essa análise ajuda a identificar o que está funcionando, quais metas estão sendo cumpridas e onde são necessários ajustes de rota. Planilhas ou softwares de planejamento empresarial podem facilitar esse acompanhamento mensal ou trimestral.
As revisões trimestrais geralmente se concentram em ajustes pontuais, enquanto as revisões anuais costumam envolver uma análise mais profunda da estratégia do negócio. Sempre que possível, baseie as atualizações em dados concretos. Indicadores como engajamento nas redes sociais, taxa de conversão, retorno sobre investimento em anúncios (ROAS) e desempenho de vendas podem fornecer insights valiosos para aprimorar o plano.
Durante a revisão anual, vale a pena reavaliar aspectos como:
- Projeções financeiras e fluxo de caixa
- Análise de mercado e concorrência
- Metas de longo prazo
- Portfólio de produtos e serviços
- Análise SWOT (forças, fraquezas, oportunidades e ameaças)
Nas revisões trimestrais, o foco pode estar em:
- Objetivos de curto prazo
- Projeções financeiras para os próximos meses
- Estratégias de marketing e vendas
- Indicadores de desempenho e crescimento
Além das revisões periódicas, algumas mudanças externas podem exigir uma atualização imediata do plano de negócios, como:
- Entrada de novos concorrentes ou mudanças relevantes no mercado
- Alterações no comportamento e nas preferências dos consumidores
- Variações significativas nos custos de fornecedores e matérias-primas
- Mudanças regulatórias, tributárias ou tarifárias que afetem o setor
Mudanças internas também podem sinalizar a necessidade de revisar o plano, incluindo:
- Crescimento expressivo da equipe
- Lançamento de novos produtos ou serviços
- Captação de investimentos, contratação de financiamentos ou alterações relevantes nas receitas e despesas
Manter o plano de negócio atualizado ajuda a garantir que a empresa permaneça alinhada aos seus objetivos e preparada para responder rapidamente às oportunidades e desafios do mercado.
Erros comuns na elaboração do plano de negócio
Eleve suas chances de acertar ao evitar alguns dos equívocos mais cometidos nos planos:
- Ideia ruim. Uma ideia muito arriscada, pouco viável ou muito cara tem poucas chances de empolgar investidores.
- Falta de estratégia ou planejamento para o que pode dar errado.
- Equipes desequilibradas. Sua equipe, ou você mesmo, não precisa só ser talentosa, mas ter todas as habilidades necessárias para realizar a ideia.
- Falta de projeções financeiras. Os números são uma parte essencial do negócio.
- Erros de gramática e ortografia. Se alguém não se preocupa em corrigir os detalhes de um documento tão importante, será que os investidores botam fé que a pessoa tem a determinação e o cuidado necessário para fazer tudo com a maior força de vontade possível?
- Projeções irrealistas. Previsões financeiras que não usam dados de mercado reduzem a credibilidade.
- Metas vagas. Objetivos sem resultados mensuráveis dificultam o acompanhamento do progresso.
- Ignorar a concorrência. Documentos estratégicos que ignoram os concorrentes carecem de contexto de mercado.
- Falta de foco no cliente. Priorizar recursos do produto em vez das necessidades do público pode limitar as vendas.
Pronto para preparar seu plano de negócio?
Não tem como escapar: o plano de negócio é essencial para empreender com responsabilidade. Ao observar pontos positivos e detectar lacunas, você sai na frente dos problemas e eleva suas chances de alcançar o sucesso. Mesmo que não planeje apresentar para investidores, um plano de negócio ajuda a identificar os próximos passos claros e revelar falhas na sua ideia antes que se tornem problemas.
Seja para começar um novo negócio online, construir uma loja física, expandir um negócio já estabelecido ou adquirir uma empresa existente, agora você sabe como elaborar um plano de negócio que atenda aos seus objetivos e necessidades. O mapa da mina está nas suas mãos, é só seguir o caminho e aproveitar a trajetória.
Ler mais
- É hora de desvendar o algoritmo do YouTube
- Use pré-vendas para validar e criar hype para um produto
- Comprar no atacado para revender- onde e como comprar produtos baratos e ter sucesso nas vendas
- Ajuda, Shopify! Dúvidas frequentes sobre produtos para revenda
- Tráfego pago para iniciantes- o que é, vantagens e ferramentas para seu e-commerce
- Perguntas frequentes sobre a Shopify Brasil
- Criador de sites: conheça os 10 melhores criadores de site de 2024 e deixe sua marca online
- Como empreender com pouco dinheiro- 15 dicas infalíveis
- Dicas para escolher o melhor sistema de PDV
- Como ganhar R$ 100, R$ 500 ou R$ 1000 por mês com um pequeno negócio pode mudar a sua vida
Perguntas frequentes sobre plano de negócio
O que é um plano de negócio?
Um plano de negócio é um documento que descreve o empreendimento, os produtos e serviços a serem prestados, como o negócio pretende gerar dinheiro ou financiar as operações, quem está na sua liderança e os membros da equipe, como se configuram suas finanças, modelo operacional e outros dados essenciais.
Ele funciona como uma espécie de mapa, mostrando os potenciais e possíveis problemas na sua jornada, permitindo que sejam mitigados antecipadamente.
Preciso fazer um plano de negócio mesmo quando não procuro investidores?
O processo de elaboração do plano ajuda a identificar oportunidades e problemas, elevando muito as chances de trilhar o caminho do sucesso.
Para que serve um plano de negócio?
Além de mapear estratégias, ele é utilizado para informar investidores e credores quando se busca financiamento para uma nova empreitada.
Como escrever um plano de negócio eficaz?
Escrever um plano de negócio é mais simples quando se usa um modelo ou software de plano de negócio. Normalmente, um plano de negócio tradicional deve ter os seguintes componentes:
- Escolha o formato e o modelo do plano de negócios
- Defina o público-alvo do plano
- Elabore o resumo executivo
- Apresente uma visão geral da empresa
- Realize uma análise de mercado
- Descreva seus produtos e serviços
- Desenvolva um plano de marketing
- Estruture o plano de logística e operações
- Crie o plano financeiro
- Revise e atualize o plano de negócios
Quais são os 3 principais propósitos de um plano de negócio?
Os três principais propósitos de um plano de negócio são:
- Esclarecer seus planos de crescimento
- Entender suas necessidades financeiras
- Atrair financiamento de stakeholders externos ou garantir um empréstimo
O que posso fazer com um plano de negócio pronto?
Além de garantir financiamento, você pode usar seu plano de negócio para testar novas ideias, integrar funcionários, atrair parceiros, monitorar o fluxo de caixa e orientar decisões estratégicas. Muitos empreendedores revisitam seu plano trimestralmente para acompanhar o progresso e ajustar táticas.
Quais são os diferentes tipos de plano de negócio?
Existem dois tipos principais de plano de negócio: tradicional e enxuto (lean). O plano tradicional é mais longo e escrito em parágrafos, enquanto o plano enxuto é mais curto e frequentemente apresenta listas com marcadores. O modelo gratuito da Shopify inclui ambos os formatos. Alguns empreendedores também usam o business model canvas, uma estrutura visual de uma página que mapeia sua proposta de valor, segmentos de clientes e fontes de receita.









